Prologo Amplo Vida/Criador.

Prólogo

A Primeira Pergunta

No início, havia silêncio.

Não o silêncio de um lugar vazio.

Mas o silêncio de algo infinitamente vasto.

Estrelas nasciam e morriam no espaço.
Galáxias giravam lentamente em espirais gigantescas.
Planetas se formavam a partir de poeira cósmica.

O universo existia.

Mas ainda havia uma pergunta que nunca tinha sido feita.

Até que, em um pequeno planeta azul, algo curioso aconteceu.

A matéria começou a olhar para si mesma.

Uma criatura surgiu.

Pequena.
Frágil.
Curiosa.

Ela observava o céu noturno cheio de estrelas e sentia algo estranho.

Uma pergunta surgia dentro dela.

Uma pergunta que nenhuma outra criatura parecia fazer.

Ela olhou para o céu e perguntou:

Por quê?

Por que existo?

Por que o universo existe?

Qual é o sentido de tudo isso?

O universo permaneceu em silêncio por um momento.

Então algo respondeu.

Não foi uma voz vinda do céu.

Foi algo mais sutil.

Uma presença.

Algo antigo.
Imenso.
E ao mesmo tempo… familiar.

— Você finalmente começou a perguntar.

A criatura olhou ao redor.

— Quem está aí?

A presença respondeu calmamente:

— Eu sou aquilo que você sempre tentou compreender.

A criatura ficou confusa.

— Você é… Deus?

A presença respondeu:

— Esse é um dos nomes que vocês usam.

A criatura olhou novamente para as estrelas.

— Então você criou tudo isso?

A presença respondeu:

— De certa forma… sim.

Mas também de outra forma, não exatamente.

A criatura franziu a testa.

— Como assim?

A presença respondeu:

— O universo não é apenas algo que eu criei.

Ele é algo que eu estou experimentando.

A criatura ficou em silêncio.

— Espera… você está dizendo que o universo é uma experiência?

— Sim.

— Mas por que criar tudo isso?

A presença respondeu:

— Para explorar possibilidades.

Para sentir.

Para aprender.

Para descobrir.

A criatura olhou novamente para o céu.

— Mas por que criar sofrimento?

A presença demorou um pouco antes de responder.

— Porque sem contraste… não existe experiência.

Sem escuridão, a luz não pode ser percebida.

Sem dificuldade, a superação não pode existir.

Sem perguntas… as respostas não têm valor.

A criatura pensou por um momento.

— Então… a vida é uma espécie de teste?

A presença respondeu suavemente:

— Não exatamente um teste.

Pense mais como um jogo de descoberta.

A criatura inclinou a cabeça.

— Um jogo?

— Sim.

Um jogo onde a consciência aprende sobre si mesma.

A criatura ficou em silêncio por alguns segundos.

— E qual é o objetivo desse jogo?

A presença respondeu:

— Evoluir a consciência.

A criatura respirou fundo.

— E como isso acontece?

A presença respondeu:

— Através da experiência.

Medo ensina coragem.

Perda ensina valor.

Conflito ensina compreensão.

Ignorância ensina sabedoria.

A criatura observou suas próprias mãos.

— Então… todos os desafios da vida fazem parte desse processo?

— Exatamente.

Cada desafio ativa uma parte diferente da experiência humana.

Cada emoção revela uma nova dimensão da consciência.

A criatura ficou pensativa.

— Então o medo… a busca por prazer… a necessidade de poder… o desejo de amar… tudo isso faz parte do jogo?

A presença respondeu:

— Sim.

Essas são as frequências da experiência humana.

Cada uma delas representa uma forma diferente de viver a realidade.

A criatura olhou novamente para o céu estrelado.

— Quantas são?

A presença respondeu:

— Sete.

A criatura sorriu levemente.

— E nós estamos aprendendo a usar todas elas?

— Exatamente.

No início da jornada, os seres humanos são dominados por essas forças.

Eles vivem reagindo ao medo.

Buscando prazer.

Competindo por poder.

Lutando por pertencimento.

Mas com o tempo…

eles começam a compreender o jogo.

E quando isso acontece, algo muda.

A criatura perguntou:

— O que muda?

A presença respondeu:

— Eles deixam de ser apenas jogadores inconscientes.

E começam a se tornar jogadores conscientes.

A criatura respirou fundo.

— Então esse é o verdadeiro objetivo da vida?

A presença respondeu:

— Sim.

Aprender a navegar todas as dimensões da experiência humana com consciência.

A criatura ficou em silêncio por alguns instantes.

Então perguntou:

— E o que acontece quando alguém aprende isso?

A presença respondeu:

— A vida deixa de parecer um caos aleatório.

Ela começa a parecer…

um processo de evolução.

A criatura olhou novamente para as estrelas.

— Então… esse é o manual do jogo?

A presença respondeu:

— Exatamente.

E é por isso que você está aqui.

Para aprender.

Para experimentar.

Para evoluir.

E talvez…

para ajudar outros jogadores a compreender o jogo também.

A criatura sorriu.

— Então vamos começar.

A presença respondeu:

— Vamos.

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